Criatividade, originalidade e iniciativa

9/11/2022

A percepção de que a criatividade é uma característica inata se tornou uma ideia de senso comum, que se materializou, inclusive, na definição do conceito da própria palavra. Segundo o dicionário Aulete, criatividade é a “capacidade de criar, inventar, conceber na imaginação. Qualidade de quem ou do que é inovador, criativo, original” (AULETE, 2021).

Por isso, muitas vezes pensamos em criatividade como algo genial, que sai “do nada”: uma lâmpada acende acima das nossas cabeças e, instantaneamente, pensamos ou inventamos algo que não existia até então. No entanto, pesquisas recentes indicam que a criatividade é uma habilidade que pode ser estimulada e desenvolvida, e que sua definição não necessariamente diz respeito a ideias únicas, 100% inovadoras ou totalmente originais. É mais provável que uma grande ideia surja de algo que já existe, a partir, por exemplo, de um questionamento como: “o que fazer para isso ser melhor?”. Muitas vezes, a resposta leva a uma pequena mudança que faz toda a diferença.

Suponhamos que você queira melhorar um processo no seu local de trabalho. Você dificilmente terá uma brilhante ideia inédita para fazer tudo de forma totalmente diferente. Ao invés disso, você pode observar com atenção as etapas desse processo e se perguntar por que problemas acontecem em cada ponto, ou questionar como esse processo poderia ajudar mais cada colaborador. Você também pode pesquisar como outras pessoas ou organizações realizam as mesmas tarefas. Isso é ser inovador, original e criativo!

De qualquer modo, é importante entendermos que há recursos práticos para desenvolvermos soluções criativas. Algumas dicas e técnicas simples podem nos ajudar muito no desenvolvimento dessa habilidade.

Confere só esta relação de hábitos diários e de metodologias que a gente separou para você dar um start no desbloqueio criativo.

TÉCNICAS PARA ESTIMULAR A CRIATIVIDADE

O brainstorming é uma técnica bastante conhecida para impulsionar a criatividade. Ele consiste em, a partir de um ponto norteador, listar rapidamente ideias que venham à cabeça, sem filtrá-las. Por exemplo, se você pergunta “como vender mais camisetas?”, pode começar a anotar sugestões como: “baixar os preços; oferecer mais tamanhos; desenhar estampas mais bonitas etc.”.

Uma variante dessa técnica, que se apoia na premissa de que temos maior facilidade para enxergar problemas do que soluções, é o brainstorming reverso. Nesse caso, você tenta agravar o problema antes de ver uma solução, perguntando, no nosso exemplo, “como vender menos camisetas?”. Digamos que você pense em “fechar a loja pela manhã; vender um só tamanho; tratar mal os clientes”. Seguindo o raciocínio, essas ideias devem levar você a perceber que poderia passar a vender mais tamanhos ou oferecer um brinde aos clientes, entre outros exemplos.

O professor e escritor Rafis Abazov (2022) sugere desenvolver a criatividade em torno de três “se”. Três perguntas “e se…?” podem fazer com que olhemos para um objeto, sistema ou relação de forma inovadora, segundo ele. Em tradução nossa, tais perguntas seriam “o que aconteceria se eu mudasse isto?”, “o que eu mudaria nisto se eu quisesse usá-lo daqui a 10 anos?” e “o que eu faria se eu tivesse um investimento de 1 milhão de dólares para melhorar isto?”. Que tal adaptar essa técnica ao seu trabalho?

Outra estratégia interessante consiste em perguntar várias vezes “por quê?” diante de um problema, até que seja possível visualizar uma ação prática para solucioná-lo. A origem da técnica é atribuída aos anos 1930, na prática de um dos fundadores da Toyota. Por exemplo, se você se depara com um problema “cheguei atrasado ao trabalho”, aplicando a técnica, poderíamos ter:

“Por que cheguei atrasado ao trabalho? Porque perdi o ônibus.

Por que perdi o ônibus? Porque saí de casa 5 minutos mais tarde.

Por que saí mais tarde? Porque acordei muito tarde.

Por que acordei tarde? Porque esqueci de programar o alarme.

Por que esqueci? Então, você percebe que pode programar um alarme para se repetir de segunda a sexta no mesmo horário, evitando esquecer de programá-lo todas as noites”.

A técnica leva o nome de “5 porquês” pois, em geral, perguntar 5 vezes é o suficiente para perceber uma solução, mas menos ou mais perguntas podem ser necessárias, dependendo da situação.

 

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Autoria: Bruno Schwartzhaupt, Mestre em Linguística Aplicada, e Marceli Tessmer Blank, Doutora em Educação. Arte: Giselle Buchholz da Costa, designer gráfico. Atualmente integram a equipe da Gerência de Serviços Digitais do SESI/RS.

 

REFERÊNCIAS:

ABAZOV, Rafis. Top Universities. 5 Ways to Improve Your Creative Thinking. Postagem em blog. 2022. Disponível em: https://www.topuniversities.com/blog/5-ways-improve-your-creative-thinking. Acesso em: 03 nov. De 2022.

INTERACTION DESIGN FOUNDATION. What are 5 Whys. Postagem em blog. 2022. Disponível em: https://www.interaction-design.org/literature/topics/5-whys. Acesso em: 03 nov. De 2022.

LUCIDMEETINGS. What is Reverse Brainstorming? Página da internet. Disponível em: https://www.lucidmeetings.com/glossary/reverse-brainstorming#:~:text=Reverse%20Brainstorming%20is%20a%20technique,cause%20a%20plan%20to%20fail.. Acesso em: 03 nov. De 2022.

MINDTOOLS. Reverse Brainstorming: A Different Approach to Brainstorming. Postagem em blog. 2022. Disponível em: https://www.mindtools.com/pages/article/newCT_96.htm. Acesso em: 03 nov. De 2022.

 

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