5 armadilhas que bloqueiam seu pensamento crítico

16/11/2022

Com que frequência você questiona sua prática? Uma das habilidades apresentadas pelo Fórum Econômico Mundial como fundamental para o profissional do futuro – que é hoje (!), como temos dito – é pensamento crítico e análise.

Exercer o pensamento crítico é algo que podemos definir como “decidir de forma reflexiva o que fazer ou no que acreditar” (FACIONE, 2000, p. 61, tradução nossa). É a característica de quem não faz as coisas de qualquer jeito ou só porque outros estão fazendo. É, também, a habilidade de quem está sempre buscando se aperfeiçoar. Neste texto, falaremos sobre 5 armadilhas que nos fazem bloquear nossa mente para o pensamento crítico. Será que você está caindo em alguma delas?

1. Quando você se fecha para quem pensa diferente

Não é fácil parar e dar ouvidos a alguém, quando já decidimos que discordamos da forma de pensar e agir daquela pessoa. Atualmente, fala-se muito sobre as “bolhas”: em círculos sociais e virtuais, nos cercamos daqueles que pensam como nós, apenas. Por consequência, tomamos nossas crenças e práticas como regra, como “o normal”, e nem imaginamos o que vivem os indivíduos de fora da nossa bolha.

Em entrevista ao Jornal da Cultura, o professor e filósofo Mario Sergio Cortella (2018) discorre brevemente sobre o pensamento crítico, definindo-o como “o exercício inteligente da suspeita”. Em primeiro lugar, por vezes é interessante suspeitar que nossa maneira de proceder pode não ser a correta, a adequada ou a melhor. A partir daí, precisamos refletir, ter diferentes perspectivas, consultar outras opiniões e fontes e até mesmo, como sugere Cortella, fazer o esforço de ler e ouvir aquele com quem eu discordo. Quando nos abrimos e ponderamos sobre o ponto de vista divergente, temos uma ferramenta muito útil, seja para mudarmos nossa crença, seja para reforçá-la.

2. Quando você faz tudo correndo

A pressa não é apenas inimiga da perfeição, mas também do pensamento crítico. É muito difícil parar para refletir sobre o que estamos fazendo se estamos desesperados para cumprir um prazo. Na correria, fica mais fácil concluir o trabalho de uma vez e deixar para pensar sobre ele depois, já que a reflexão poderia implicar mudar todo o seu rumo. Um caminho para evitar cair nessa armadilha é saber fazer a gestão do tempo. O próprio exercício de planejamento das nossas ações com antecedência já representa uma instância do pensamento crítico sobre a prática.

3. Quando você é dependente de uma autoridade

Ao longo da vida, figuras de autoridade são os experts, as nossas referências. Um indivíduo, como a mãe, o pai, o professor ou o líder, ou grupos, como educadores, cientistas ou políticos, são fontes de conhecimento e nos mostram o caminho. Isso é normal e natural (RUDINOW & BARRY, 2007). Presumindo que haja legitimidade na sua expertise, a autoridade tende a ser algo positivo para o nosso desenvolvimento. Contudo, a dependência dessas figuras não pode bloquear nossa capacidade de pensar por conta própria. Autonomia e autenticidade são características importantes para que possamos agir na ausência da autoridade e, especialmente, proporcionar inovações.

4. Quando você faz pressuposições

Alguns teóricos afirmam que nós, seres humanos, temos uma tendência a crer que algo é verdade ou é correto quando sempre acreditamos ou sempre procedemos dessa forma (PAUL & ELDER, 2014). Mais do que isso, muitas vezes somos tentados a acreditar que algo é real porque ouvimos repetidas vezes que assim o é. Quem almeja ter pensamento crítico precisa estar ciente de quais das nossas crenças são fatos que pudemos verificar e quais são apenas pressuposições (RUDINOW & BARRY, 2007). Tome cuidado para, por exemplo, não agir na urgência de resolver uma demanda importante pressupondo que uma questão prévia foi resolvida. Sempre que possível, reflita, confira e tenha certeza antes de qualquer atuação.

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5. Quando você tem medo

O medo pode ser um recurso importante para impedir que atuemos por impulso, mas ele também pode bloquear nosso pensamento crítico. Quando eu começo a refletir sobre uma prática e tenho uma ideia de como fazer diferente, ou escuto uma sugestão que pode ser um caminho interessante, o medo pode fazer com que eu logo rejeite esse pensamento. Ele pode ser o medo da mudança ou mesmo o medo de errar. Quem reflete vê oportunidades, entende a importância de poder se adaptar a novos contextos e encontra maneiras de fazê-lo.

Conclusão

Aqui tratamos de algumas situações que atuam como bloqueios ao nosso pensamento crítico. Perceba que todas elas são barreiras internas, ou seja, são armadilhas em que nós mesmos, por vezes, nos colocamos e que dependem da nossa própria reflexão e atuação contínua para que sejam derrubadas. Esperamos que essas ideias sejam úteis para que você também possa pensar e melhorar sua prática. Por fim, convidamos você a conferir os cursos do SESI/RS que podem contribuir para o seu desenvolvimento como profissional que pratica o pensamento crítico. Confira abaixo:

 

Autor: Bruno Schwartzhaupt, Mestre em Linguística Aplicada. Integra a equipe da Gerência de Serviços Digitais do SESI/RS.

 

REFERÊNCIAS:

CORTELLA, Mario Sergio. Jornal da Cultura. TV Cultura. São Paulo, 2018. Disponível em: https://pt-br.facebook.com/jornalismotvcultura/videos/mario-sergio-cortella-pensamento-cr%C3%ADtico/1603308583082657/. Acesso em: 11 nov. 2022.

EGGCELLENT WORK. 12 Common Barriers To Critical Thinking (And How To Overcome Them). [s.l.], 2022. Postagem em Blog. Disponível em: https://eggcellentwork.com/barriers-to-critical-thinking/. Acesso em: 14 nov; 2022

FACIONE, P. A. The disposition toward Critical Thinking: Its character, measurement, and relation to critical thinking skill. San Francisco, 2000. Informal Logic, Vol. 20 (1), 61–84.

CROCKETT, Lee. 7 Critical Thinking Barriers and How to Overcome Them. Future Focused Learning. [s.l.], 2021. Postagem em Blog. Disponível em: https://blog.futurefocusedlearning.net/critical-thinking-barriers Acesso em: 14 nov; 2022

PAUL, Richard; ELDER, Linda. The miniature guide to Critical Thinking: concepts and tools. 7ª edição. Tomales: The Foundation for Critical Thinking, 2014.

RUDINOW, Joel; BARRY, Vincent E. Invitation to Critical Thinking. 6ª edição. Belmont: Thomson Wadsworth, 2007.

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